quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Carlito de Azevedo


 Olá, meus queridos amigos.
Hoje, o nosso Cantinho da Literatura está diferente. Vai começar com uns textos extraídos de algumas obras de Carlito Azevedo. É apenas um "aperitivo", para quem se interessar em conhecer melhor esse poeta brasileiro, crítico e editor carioca, pesquisando a sua biografia.
Encontro com vocês na próxima semana, com mais um escritor brasileiro.
Abraços da amiga Janete

 NOITE FÍSICA
(Desentranhado de um poema de Charles Peixoto)
A luz do quarto apagada,
na escuridão se destaca
a insônia que nos atraca,
dois gêmeos na bolsa d'água.
Ao despertar levo as marcas
que de noite rabiscavas
em minha pele com a sarna
ávida de tua raiva?
E em você a cega trama
algum mal pôde? ou maltrata
ainda, que penetrava
concha, espádua, gargalhada?
E, em nosso rosto essa raiva
aberta? que estranha lava
é essa que, rubra (baba de algum diabo), se espalha?
A luz do quarto apagada,
na escuridão se destaca
a fúria que nos atraca,
dois gêmeos na bolsa d'água.
BANHISTA
Apenas em frente ao mar
um dia de verão - quando tua voz acesa percorresse,
consumindo-o, o pavio de um verso 
até sua última sílaba inflamável -
quando o súbito atrito de um nome em tua memória 
te incendiasse os cabelos - (e sobre tua pele de fogo 
a brisa fizesse rasgaduras de água)
(Do livro: as banhistas, Carlito Azevedo, Editora Imago)
MENINO
A pérola fria o topázio quente
dividiam seu rosto ao meio:
olhos de gato, olhar de gamo
(Do livro: as banhistas, Carlito Azevedo, Editora Imago).

ESTRAGADO

No jardim zoológico um ganso
as patas afundam na lama e ele imperial
como uma macieira em flor
mas está estragado
como qualquer um pode ver estragado
pensa que foi para isso
que o resgataram do dilúvio
mas não
resgataram o signo
estragaram o ganso
(Do livro: Collapsus linguae, Carlito Azevedo. Editora Lynx).
ABERTURA
Desta janela domou-se o infinito à esquadria:
desde além, aonde a púrpura sobre a serra
assoma como fumaça desatando-se da lenha,
até aqui, nesta flor quieta sobre o
parapeito - em cujas bordas se lêem
as primeiras deserções da geometria.
LIMIAR
A via-láctea se despenteia.
Os corpos se gastam contra a luz.
Sem artifícios, a pedra 
acende sua mancha sobre a praia.
Do lixo da esquina partiu
o último vôo da varejeira
contra um século convulsivo.
SERPENTE
O nome
como veneno
e o poema como
antídoto
extraído do próprio
nome.
SOB O DUPLO INCÊNDIO
Sob o duplo incêndio
da lua e do neon,
sobre um parapeito de 
mármore, entre duas cortinas
jogadas pela brisa marinha
que ao mesmo tempo às suas
coxas e costas dispensava
um hálito incontínuo,
inundando de rubro o restrito
perímetro de seu jarro em cerâmica
e contrastando, imemorial, com a
transitoriedade de tudo ali
(hotel, amor, carros, dia, noite)
uma flor alheia a símbolos
atingia seu ponto máximo
de beleza.
(Extraídos de 41 POETAS DO RIO, org, Moacyr Félix. Rio de Janeiro; FUNARTE, 1998. 514 p.)


CARLITO AZEVEDO

Nasceu no Rio de Janeiro em 04 de julho de 1961. Cursou Letras na UFRJ.
Obras: Colapsus Linguae (1991), As banhistas (1993), Sob a noite física (1996), Versos de Circunstância (2001) e Sublunar (2001). É editor da revista de poesia Inimigo Rumor desde 1997.




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Uma mensagem para vocês.

Boa noite, meus amigos.
Mais uma vez, ofereço uma mensagem reflexiva para começar bem a semana.
Amados!!!
"O que mais me surpreende na humanidade, são os "homens".
Porque perdem a saúde para juntar dinheiro.
Depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma
que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer...
E morrem como se nunca tivessem vivido."
Padre Marcelo Rossi.
"Mais vale ser humilhado com os mansos, que repartir despojos com os soberbos."
(Livro dos Provérbios)
Uma ótima semana a todos.
Abraços da amiga Janete

sábado, 24 de agosto de 2013

Dr. Crispim

Olá, meus amigos.
Já faz um tempinho que não conto um "caso", então resolvi que vou a partir de hoje, sempre que eu encontrar um “caso legal”, compartilhar com vocês, pois é muito interessante a criatividade e o senso de humor das pessoas e um ótimo motivo para descontrair um pouco; lembrando que existem casos reais e são interessantes para contar com o mesmo senso de humor.
    Dr. Crispim era médico e político na pequena cidade onde passei a minha juventude. De medicina não sabia muita coisa e, de política, acreditava mesmo só no “eleitor de cabresto”. Entendia que o povo humilde devia votar sempre de acordo com a cabeça do patrão. Mas o que o Dr. Crispim fazia com maestria era contar vantagens. Adorava ir para a pracinha da Matriz e ali ficar se pavoneando, falando de seu prestígio e da riqueza que possuía.
Quando havia alguém de fora, então, é que ele descia a avenida todo garboso, de camisa de colarinho engomado, gravata, suspensório e vendendo importância, `espera do forasteiro que certamente viria ter ao “ponto chic” e conhecer a igreja.
Certo dia, enquanto um dos seus amigos mostrava a praça a um hóspede vindo lá do norte de Minas, o nosso doutor se aproximou e, sem mais nem menos, começou a falar com o visitante:
- “Estou vendo que o senhor não é daqui”.
- “Isso mesmo. Eu sou lá das bandas de Montes Claros. O senhor conhece”?
- “Ainda não, mas o senhor é que está tendo a honra de conhecer e apertar a mão do homem mais rico desta cidade”!
Um pouco assustado, o visitante concluiu:
-“Com muito gosto”.
Era o que faltava para que o doutor continuasse:
- “Eu sou o doutor Crispim, hoje apenas médico e fazendeiro. Aqui no município tenho uns cinco mil alqueires de terra boa, cheinha de gado leiteiro. Lá na roça possuo uma casa de fazenda que deixa ‘no chinelo’ qualquer uma das casas aqui da cidade, dos meus conterrâneos. Para falar a verdade, de riqueza não posso me queixar! Está vendo ali aquele prédio? Nele funciona o cinema que é meu. As duas farmácias da cidade também são de minha propriedade, bem como os três armazéns. Isso sem falar das casas de aluguel que possuo. Dinheiro no banco, então, nem se fala”.
O visitante, de olhos arregalados, perguntou:
- “O senhor nasceu em berço de ouro”?
- “Não senhor. Nasci pobre”!
- “Mas então o senhor teve muita sorte na vida, foi premiado na loteria”?
- “Quem me dera! Se isso tivesse acontecido, eu estaria hoje muito mais rico ainda”!
O homem criou coragem e arriscou já mais desinibido:
- “Ah! Imagino que tenha se casado com mulher rica ou compartilhado de sua herança”.
Ele deu um certo risinho crítico, pois começava a desconfiar de tanta soberba.
- “Também não, meu amigo, também não”.
- “Bom, de duas, uma: ou o povo da cidade adoece muito”, falou com ar de malícia, “ou o senhor já foi prefeito”!
Apelou, dando uma gostosa gargalhada de pura troça.
Enchendo o peito, Dr. Crispim ergueu a mão direita, escondeu o polegar e abriu bem os outros dedos, e exclamou:
- “Prefeito sim; quatro vezes, quatro vezes”!!!
Maria de Lourdes César da Rocha Bueno
Espero que tenham gostado do "caso" de hoje e quem tiver uma "estória" legal e quiser publicar no "Contando Caso", pode sugerir, enviando para o meu e-mail:
milajanete@hotmail.com 
Um ótimo final de semana a todos.
Abraços da amiga Janete

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ana Eurídice

Olá, meus queridos leitores.
É sempre muito bom e curioso, pesquisar sobre os escritores brasileiros, como tenho falado desde o início do nosso “Cantinho da Literatura”; e o objetivo é exatamente esse: de conhecer esses magníficos poetas, contistas e cronistas do nosso Brasil e compartilhar alguns textos, poesias, crônicas, etc. com vocês, que são amantes de uma boa leitura.

Mas sabemos também que é quase impossível conhecer e pesquisar sobre tantos escritores e com isso, é sempre bom diversificar entre os mais atuais e também os mais antigos, assim como a homenageada de hoje nesse nosso espaço muito especial, falando um pouco sobre essa grande mulher que é Eurídice de Barandas.
  Nome Artístico: Ana Eurídice Eufrosina de Barandas
  Biografia:  
  Porto Alegre/RS, 08/09/1806 - local e data ignorados de sua morte, embora sabe-se que viveu mais de 60 anos. Contista, poetisa e cronista. Recebeu educação esmerada, pois sua família tinha posses. Defendeu a independência da mulher, o direito ao voto e a liberdade de expressão. Apoiou os farroupilhas, revolucionários contrários à monarquia e ao pagamento de impostos com dinheiro gaúcho aos ingleses, pregando maior autonomia da região, contra os governistas ou caramurus. Alfabetizou os filhos e sobrinhos, divorciou-se em 1843 e passou a controlar a propriedade e os escravos da família. Obra poética: O ramalhete ou flores escolhidas no jardim da imaginação, 1845/reedição em 1990 (com estudo de Hilda A. Hubner Flores). 


Soneto

Não partas!... Ou então leva-me a vida!
Piedade tem de uma infeliz amante,
Que em te amar jurou ser a mais constante
E que por ti de amor se vê perdida!

Pelo fatal ciúme consumida
Sem ter de alívio meu um só instante,
A Tício, no tormento, semelhante,
Sou do abutre voraz a triste lida!!


Ah! dize homem cruel, tu nunca amaste?
Nunca as penas sentiste de uma ausência?
Nunca de amor angústia exp'rimentaste?

Da minha dor, Jacínio, tem clemeência!
Recorda-te da fé que me juraste,
E não queiras cortar minha existência.

                                        Ana Eurídice Wufrosina de Barandas 

Do livro: Escritoras Brasileiras do Século XIX, org. Zahidé Lupinacci Muzart, vol. 1, Editora Mulheres/EDUNISC, 2000, SC



LITERATURA E GÊNERO NO RIO GRANDE DO SUL: A POESIA DE ANA
EURÍDICE EUFROSINA DE BARANDAS
André Augusto Gazola (Voluntário), Cinara Ferreira Pavani (orientadora) -
andre@lendo.org
A pesquisa Literatura e Gênero no Rio Grande do Sul busca investigar a
produção poética de autoras sul-riograndenses a partir dos estudos de gênero
e de identidade cultural regional. Num primeiro estágio, em 2007, buscou-se
examinar, na historiografia literária, o lugar das escritoras gaúchas Delfina
Benigna da Cunha, Maria Clemência da Silveira Sampaio e Ana Eurídice
Eufrosina de Barandas, que escreveram na primeira metade do século XIX. A
partir desse trabalho, e encaminhando a pesquisa para um segundo estágio, o
presente estudo pretende analisar a obra de Ana Eurídice Eufrosina de
Barandas, O Ramalhete ou flores escolhidas no jardim da imaginação, partindo
de uma abordagem textual e adentrando os motivos sociais resultantes. Dessa
forma, através do recorte estilístico do uso de adjetivos-chave em relação a
determinados substantivos, relacionamos a forma de expressão textual da
escritora com sua visão feminina da sociedade na qual estava inserida, em
pleno século XIX. Lindo, belo, terrível e cruel são fortes (e repetitivas)
manifestações do pensamento de uma mulher que viu sua terra natal ser
invadida e destruída, vivenciou um amor intenso, contudo incerto, apreciou as
belezas da natureza, carregou um patriotismo fervoroso, porém crítico e
divorciou-se por vontade própria, ficando responsável por criar e educar filhos e
sobrinhos. Finalmente, através dessa análise textual mais profunda, abrem-se
caminhos para novas – e, por que não, mais acuradas – interpretações do
legado dessa escritora resgatada das páginas machistas que, por um longo
tempo, nos foram apresentadas como única, verdadeira e irrevogável história
literária.
Palavras-chave: poesia sul-riograndense, estudos de gênero, Ana Eurídice
Eufrosina de Barandas.
Apoio: UCS.
Falando um pouco sobre o famoso "RAMALHETE":

"O RAMALHETE" ou "FLORES ESCOLHIDAS NO JARDIM DA IMAGINAÇÃO", de ANA EURÍDICE EUFROSINA DE BARANDAS. Editora NOVA DIMENSÃO/EDIPUCRS, 1990, 2ª edição, 127 páginas, capa flexível.
SINOPSE: "Ana Eurídice E. de Barandas documentou sobre o amor e o longa Guerra Civil dos Farrapos, agredindo a sociedade de sua época.
Influenciada pelas ideias liberais do Iluminismo europeu, e atingida em seus direitos de cidadania, defende o posicionamento político para as mulheres, rompendo as barreiras da mentalidade capitalista.
O RAMALHETE foi publicado em Porto Alegre em 1845, dois anos após o 'divórcio' da escritora, que a liberou da dependência marital para editar."

Quadras

1. Oh meu pobre animalzinho, 
    Oh meu Apolo querido! 
    Ainda tua lembrança 
    Não saiu do meu sentido. 
2. Amor, inveja, ciúme 
    Te trouxeram ao meu poder: 
    Preferi-te a Bracaforte 
    Sem tua sorte prever. 
3. Vieste tão pequenino, 
    Tão fraco, tão inocente 
    Que me fazia tremer 
    Por ti qualquer acidente. 
4. Cresceste à minha vista, 
    Perto de mim te criei; 
    Amaste-me em paga disso, 
    Por isso mesmo te amei. 
5. Ganhaste meu coração 
    Com o teu terno carinho; 
    Eras o meu companheiro, 
    Oh meu pobre animalzinho! 
6. Os afetos da minha alma 
    Em meu semblante estudavas, 
    Sempre atento e decidido, 
    Por ele te regulavas. 
7. Se em meus olhos descobrias 
    Sinais de acerba aflição, 
    A meus pés guardavas triste 
    A mais perfeita inação.

                                                    Ana Eurídice Eufrosina de Barandas
Do livro "O Ramalhete, ou Flores Escolhidas no Jardim da Imaginação" (estudo da biografia da autora, atual. e notas no texto de Hilda Hubner Flores), Nova Dimensão/EDIPUC,  2ª ed. 1990, RS 
Enviado por: Leninha

Espero que vocês tenham se surpreendido com essa nobre escritora, mas a sua biografia completa é muito mais surpreendente. Vale a pena pesquisar e conhecer melhor essa mulher extraordinária, assim como tantas escritoras dessa época.
Espero vocês no nosso próximo encontro aqui no “Cantinho da Literatura”.
Abraços da amiga Janete

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Caldo Verde

Olá meus amigos. Tem uma coisa que realmente aquece esse friozinho que tem feito nesses últimos dias, como por exemplo: uma sopa de legumes, canjiquinha com carne seca, canja de galinha e um saboroso caldo verde. É o que tenho feito nessas últimas noites. Hoje resolvi fazer essa receita de caldo verde, pois é muito rápida e ficou muito saboroso.

Então, fica aqui essa sugestão:

Ingredientes:
04 batatas médias
01 tablete de caldo de galinha
01 colher (sopa) de óleo
01 colher (sopa) rasa de sal ou a gosto
05 xícaras (chá) de água
01 xícara (chá) de couve manteiga cortada em tiras
01 linguiça calabresa defumada cortada em rodelas.
Modo de Preparo:
Na panela de pressão, coloque as batatas, caldo de galinha, óleo, água e sal.
Cozinhe por cerca de 10 minutos; começar a contar o tempo depois que a panela começar a chiar, até a batata desmanchar.
Em seguida, bata tudo no liquidificador.
Acrescente as rodelas de calabresa e ferva.
Desligue o fogo e adicione a couve manteiga.
Na hora de servir, coloque um fio de azeite.
OBS.: Se não quiser usar a panela de pressão, corte as batatas e leve para cozinhar em uma panela comum e quando estiverem macias, desligue o fogo, bata no liquidificador e volte ao fogo com os ingredientes restantes. Pode cozinhar um pouco a couve; achei melhor.
Fácil assim. Espero que tenham gostado da sugestão.
A receita de Canjiquinha com carne seca, que é uma delícia, está no "Cantinho da Culinária." Dê uma "passadinha" por lá.
Abraços da amiga Janete
Sei que a vida vale a pena
Mesmo que o pão seja caro
E a liberdade pequena.

Ferreira Gullar


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Uma mensagem para vocês


Olá. Vamos começar bem a semana?

Amados!!!
 A pressa mata o amor.

Ela nos impede de ver o sentido na vida.

Levantamos rápido, comemos rápido, nos vestimos rápido, vamos para o trabalho rápido.

Comece o dia com uma breve oração; assim, mesmo que os eventos tentem nos pressionar, estaremos preparados para caminhar na velocidade correta.

 Padre Marcelo Rossi.  
"Feliz o homem que se ocupa da sabedoria e que raciocina com inteligência, que reflete, em seu coração, nos caminhos da sabedoria e medita em seus segredos."
(Eclo 14,20-21)
"Um Sinal apareceu no céu!"
-Maria, nossa Mãe, tão querida, tão especial, tão amiga...
Que Ela seja sempre presença em nossa vida, ensinando-nos, cada dia, a fazermos tudo o que ELE nos disser.

Que ELA nos envolva em seu manto de silêncio, comunicando-nos a fortaleza da sua Fé, a altura da sua esperança e a profundidade do seu amor...

Uma ótima semana a todos.
Abraços da amiga Janete

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Casaco Crochê branco com preto

Olá, meus queridos amigos. Estou apresentando mais um trabalho de crochê, que acabei de fazer.
O casaco branco que apresentei anteriormente e que estava reservado, já foi vendido. Esse também está reservado, mas aceito encomenda.
Um ótimo final de semana para todos.
Abraços da amiga |Janete.








 Feito com linha Bella da Pingouin, esse lindo casaco branco com detalhes em preto - Tamanho M/G
R$ 120,00 - (Vendido)

"Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem."
Uma parte de mim
é permanente:


outra parte

se sabe de repente


Ferreira Gullar


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Ferreira Gullar

Boa noite, meus amigos .
Hoje no Cantinho da Literatura, mais uns lindos poemas e pensamentos para vocês.
Abraços da amiga Janete

Ferreira Gullar

Um instante


Aqui me tenho
Como não me conheço
            nem me quis


sem começo

nem fim


          aqui me tenho

          sem mim


nada lembro

nem sei

à luz presente
sou apenas um bicho
        transparente



Cantiga para não morrer


Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
Ferreira Gullar
Estou na caridade da evolução do meu ser. Quero ser menina, encontro-me mulher... Quero ser mulher, vejo-me menina...

Ferreira Gullar

Em face da imprevisibilidade da vida, inventamos Deus, que nos protege da bala perdida.
Ferreira Gullar
Não quero saber do sofrimento, quero é felicidade. Não gosto de fazer lamúrias. Uma vez, discuti feio sobre determinada situação. Fiquei sozinho em casa, cheio de razão e triste pra cacete. Então, pra que querer ter sempre razão? Não quero ter razão, Quero é ser Feliz!
Ferreira Gullar
.Aqui me tenho como não me conheço nem me quis, sem começo nem fim. Aqui me tenho sem mim, nada lembro, nem sei.

FRASES:
Estou na caridade da evolução do meu ser. Quero ser menina, encontro-me mulher... Quero ser mulher, vejo-me menina...
Não quero saber do sofrimento, quero é felicidade. Não gosto de fazer lamúrias. Uma vez, discuti feio sobre determinada situação. Fiquei sozinho em casa, cheio de razão e triste pra cacete. Então, pra que querer ter sempre razão? Não quero ter razão, Quero é ser Feliz!
Sei que a vida vale a pena
Mesmo que o pão seja caro
E a liberdade pequena.
Como um tempo de alegria,por trás do terror me acena,... E a noite carrega o dia, no seu colo de açucena.......... Sei que dois e dois são quatro, Sei que a vida vale a pena,.... mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena...




domingo, 11 de agosto de 2013

PARABÉNS PAI!


Dedico essa mensagem a todos os pais.
Que o Senhor Deus abençoe cada um de vocês, permitindo que essa missão especial seja cumprida com responsabilidade e muito amor.
Feliz Dia dos Pais! 



Dedico essa mensagem ao meu querido pai, que depois de 21 anos da sua partida, ele encontra-se muito perto de mim e as suas lembranças continuam vivas em meu coração, sempre com muito amor e saudades.

"Saudade palavra triste quando se perde um grande amor...
Na estrada longa da vida, eu vou chorando a minha dor..."
Essa música eu dediquei ao meu querido pai, quando eu viajava para me despedir dele; "Meu primeiro amor..."
Obrigada, meu pai. Do senhor eu só tenho boas lembranças e muitas saudades.
Onde quer que esteja, parabéns pelo seu dia, papai.
Beijos da sua filha Janete
Às vezes o homem mais pobre deixa aos seus filhos a herança mais rica. 
Ser pai é: Sorrir, Chorar, Sofrer, Cuidar. Ser filho é: Agradecer todos os dias pela oportunidade de ter um pai como você.  
Feliz Dia dos Pais! 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Luiz Paulo Horta

Olá, meus queridos amigos do Cantinho da Literatura.
Essa semana, o Brasil está de luto com a morte do nosso querido escritor Luiz Paulo Horta.
Ele já estava na minha lista de homenagens aos geniais escritores brasileiros, mas estou prestando essa homenagem hoje, em respeito à sua súbita morte, com um breve resumo da sua biografia e alguns textos publicados nas colunas do jornal O Globo.


 Autor de livros sobre música clássica e teologia, Horta acompanhou ativamente a Jornada Mundial da Juventude, publicando colunas diárias sobre a visita do Papa Francisco ao Brasil.
Luiz Paulo Horta nasceu no Rio de Janeiro, em 14 de agosto de 1943. Em 1962, começou a estudar Direito na PUC-RJ e abandonou o curso para ser jornalista. Trabalhou no Correio da Manhã em 1963 e no Jornal do Brasil, de 1964 até 1990, e O Globo, onde atualmente trabalhava.

Horta criou e dirigiu a seção de música no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1986. Foi o sétimo ocupante da cadeira 23 e foi eleito no dia 21 de agosto de 2008, ocupando o lugar de Zélia Gattai. 
Em 2000, ganhou o Prêmio Padre Ávila de Ética no Jornalismo e, em 2010, recebeu a Medalha do Inconfidente do Governo de Minas Gerais.
Após uma missa celebrada pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, a Presidente da ABL, Ana Maria Machado, fez a saudação de despedida. "Nas variadas facetas de suas múltiplas atividades intelectuais, Luiz Paulo Horta sempre manteve integridade moral e profundo respeito a um conjunto de valores cada vez mais raros. Fosse no dia a dia de editorialista, de crítico musical, de acadêmico, fosse na imersão em questões filosóficas ou reflexões religiosas, nosso querido Luiz Paulo jamais deixou de dar um testemunho exemplar dessa inteireza a serviço do conhecimento do assunto e de uma erudição em permanente processo de atualização. Agora, somente nos resta uma única palavra nesta despedida; Adeus, adeus a Luiz Paulo", disse, de acordo com comunicado da ABL.
“O corpo do jornalista, escritor, crítico de música clássica e colunista do jornal O Globo, ocupante da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, Luiz Paulo Horta foi sepultado na manhã deste domingo (4), no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Aos 69 anos, ele morreu em sua casa, no bairro de Botafogo, vítima de um infarto fulminante, na madrugada de sábado (3).”
Em 2008, ele foi eleito para Academia Brasileira de Letras. Durante o velório, o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, fez uma oração. Na cerimônia, uma última homenagem.
“Um homem muito culto, mas com fervor humano. Eu via no Luiz Paulo Horta um compromisso com a vida”, destaca Nelida Piñon, escritora e imortal da ABL.
Luiz Paulo Horta completaria 70 anos no dia 14 de agosto. Planejava celebrar o aniversário com uma missa e coquetel para os amigos. Nos últimos dias, Horta vinha apresentando sinais de cansaço, mas andava entusiasmado com a vida.
“Ele dizia para as pessoas mais chegadas: ‘Olha, dia 14 é meu aniversario’. E repetia tudo e eu dizia: ‘Meu Deus, como ele está empolgado com esse aniversário, como ele está querendo fazer esses 70 anos’”, conta a produtora musical Nenem Krieger.
Horta tinha duas paixões: a religião e a música. Era pianista. Durante 26 anos, trabalhou como crítico musical do Jornal do Brasil. Também era membro da Academia Brasileira de Música e da Comissão Cultural da Arquidiocese do Rio.
Lançou o último livro em 2011: "A Bíblia, um diário de leitura". Atualmente, colunista do jornal O Globo, publicou artigos diários sobre a visita do Papa Francisco ao Rio durante a Jornada Mundial da Juventude.  Luiz Paulo Horta deixou mulher, três filhos e seis netos.
“Estava sempre estudando, lendo muito. Ele sabia muito de religião, ele sabia muito de música, ele sabia muito de filosofia. Ao mesmo tempo era uma pessoa muito simples. Ele vai fazer muita falta para nós e para todo mundo”, lamenta Ana Horta, jornalista e filha de Luiz Paulo Horta.


COLUNA: LUIZ PAULO HORTA


Falar de Deus
Por: Luiz Paulo Horta
Poucos problemas são tão desafiadores para a Igreja de hoje quanto o da comunicação. A era é a da comunicação permanente; e mesmo no plano do cristianismo, há mensagens que concorrem com a da Igreja de Roma.
O tema foi abordado pelo grande teólogo e místico suíço Maurice Zundel (falecido em 1975). Ele escreve:
“Hoje, mais do que nunca,  Deus pode proporcionar o encontro de todos os homens, a cura de todas as feridas, a harmonização das diferenças. Trata-se de revelá-lo em nós e por nós; se não O vemos, se Ele não é uma Presença sensível, o ser humano fica só com suas angústias, seus egoísmos, sua biologia individual ou coletiva; fica só com os fanatismos que matam o outro e a ele mesmo”. 
Zundel acrescenta: “Seria preciso reinventar uma linguagem nova, que nos introduzisse imediatamente na eterna novidade do Evangelho”. Este é o desafio, que precisa ser sentido e vivido por cada cristão. E o padre Zundel fornece uma outra pista para essa questão:
“O maior perigo, hoje, é a ausência de vida mística, ausência de união com Deus, ausência de uma experiência autêntica de Deus naqueles que deveriam falar deles”.
O que significa que, de um desafio, passamos a outro que é maior ainda. É o “bom combate” de que falava São Paulo.
COLUNA: LUIZ PAULO HORTA











Ser grato
Por: Luiz Paulo Horta
A vida de todo dia traz muitas dificuldades. Em certos momentos, a pressão é tão grande que se transforma em angústia. E, no entanto, estamos vivendo um mistério extraordinário. Como diz a epístola de são Pedro, “bendito seja Deus que nos tirou das trevas para a sua luz admirável”.
Apesar de todos os problemas, no fundo de nós mesmos deveria existir um sentimento de gratidão. Porque fomos chamados à vida, e recebemos esse patrimônio incrível que é a natureza humana. Tão incrível, que aprouve ao próprio Deus revestir-se da nossa humanidade, viver como um de nós, sofrer como sofremos, e também sentir as nossas alegrias.Essa atitude básica de gratidão é o tema de uma das cartas do monge Barsanúfio, que viveu no século VI nas imediações de Gaza, Palestina:
“De acordo com as palavras do Apóstolo, devemos conservar sempre uma atitude de gratidão:
”Em tudo, demos graças a Deus“. ”Demos graças, inclusive, pelas tribulações, sofrimentos, angústias, doenças, porque também é o Apóstolo quem diz: “Através de muitas tribulações entraremos no Reino de Deus”. E lá, seremos livres de todo mal.
“Não tenha dúvidas, nunca desanime. Lembre-se do ensinamento de Paulo: ”Embora a nossa natureza exterior se gaste continuamente, a nossa natureza interior se renova a cada dia“. Aceitando o sofrimento, seremos capazes de partilhar da cruz de Cristo.
”Enquanto o navio estiver em mar alto, está exposto ao perigo e à mercê dos ventos. Mas quando ele chega ao porto, já não há nada que ameace sua segurança,  sua tranquilidade, sua paz.
“O mesmo acontece conosco. Durante esta vida, somos sujeitos ao sofrimento e atacados pelas tempestades espirituais. Mas quando chegarmos ao término dessa viagem, não teremos mais nada a temer”.


                                                      
Interpretando as Escrituras
             
Por: Luiz Paulo Horta
Em artigo anterior, citamos Máximo, o Confessor (580-662), teólogo ilustre de Constantinopla. É dele, também, o  texto seguinte, que fala dos sentidos a serem procurados  nas duas partes da Bíblia: “A Sagrada Escritura é como  um ser humano.  O Antigo Testamento é o corpo, o Novo Testamento é a alma, e o sentido do que ali está é o espírito. De um outro ponto de vista, podemos dizer que toda a Escritura sagrada, Antigo e Novo Testamento, tem dois aspectos: o conteúdo histórico, que corresponde ao corpo, e o sentido profundo, o objetivo a que devemos aspirar, e que  corresponde à alma.
”Se pensamos nos seres humanos, vemos que eles são mortais em seu aspecto visível, mas imortais em suas qualidades invisíveis. Assim é a Escritura. Ela contém a letra, o texto visível, que é transitório. Mas também contém o espírito escondido por trás da letra, e esse não se extingue nunca, e deveria ser o objeto da nossa contemplação”.
O que esse texto tão simples e tão profundo nos revela é a importância da Tradição no comentário dos textos sagrados. Toda escritura sagrada precisa de comentário, de interpretação, porque ali coexistem o que é eterno e o que é transitório.
Por exemplo, a Lei mosáica manda apedrejar as adúlteras. Como imaginar que esse texto continue em vigor ainda hoje, em condições históricas e culturais drasticamente diferentes? Isso não significa que o texto sagrado tenha perdido a sua força; mas se ele não for devidamente interpretado, caímos no literalismo, que é um outro nome para o fundamentalismo.
Essa interpretação, por sua vez, precisa apoiar-se na Tradição — que não deve ser vista como sinônimo de coisa antiquada, e sim como a própria vida espiritual que vai sendo transmitida de geração em geração. No contexto católico, a Igreja é o espaço privilegiado para esse repositório de sabedoria e de vida interior.  E um dos aspectos dessa transmissão ininterrupta é a instituição do Papado. Por isso se diz, com toda propriedade: “Ubi Petrus, ibi Ecclesia”. Onde está Pedro, aí está a Igreja.
                                                      

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