terça-feira, 2 de outubro de 2018

Portugês passo a passo - Crase

Olá, meus queridos amigos
Não sei se vocês ficaram curiosos em saber qual seria o assunto dessa semana, mas confesso que eu fiquei ansiosa para apresentar mais uma dica do professor Pasquale, e dessa vez, sobre "CRASE".
Se a "Concordância  Verbal" é um caso complicado de se entender, imagine o emprego da crase, que às vezes nos deixa muitas dúvidas...
"Crase significa fusão, mistura (a + a, por exemplo). O sinal que indica esse fenômeno é o acento grave (à)", e hoje, o professor Pasquale vai nos ajudar a entender quando se deve usar esse sinal.
 
A crase e os casos proibidos
 
Vamos ver alguns detalhes básicos da bendita crase. Em qualquer manual que trate do assunto, sempre aparecem listas dos casos em que é impossível pensar em crase, os casos proibidos, proibidíssimos. O número 1 sempre é o das palavras masculinas. Está escrito em qualquer apostila, em qualquer manual: "não ocorre crase antes de palavras masculinas".
Até aí, nenhum problema, desde que se use o raciocínio. Lembremos por que não ocorre crase antes de palavra masculina. Porque palavras masculinas não admitem artigo feminino, o que é mais do que óbvio. No entanto é mais do que comum encontrarmos por aí algo como "ferro à vapor", "freio à disco", "barco à remo", "carro à álcool", "sal e pimenta à gosto" etc.
TUDO ERRADO
"Vapor", "disco", "remo", "álcool" e "gosto" são palavras masculinas, por isso não é possível encontrar artigo feminino antes delas.
O "a" que as antecede é mera preposição. Deve-se grafar "ferro a vapor", freio a disco", "barco a remo", "carro a álcool", "sal e pimenta a gosto".
 
"À moda de"
O problema, como sempre, é a decoreba. Veja novamente o caso da famosa expressão "à moda de".
Em "bacalhau à Gomes de Sá", por exemplo, a expressão "moda de" está subentendida. Na verdade, o que se tem é "bacalhau à (moda de) Gomes de Sá". Agora troque a palavra feminina "moda" pela masculina "estilo". O que ocorre? O "à" vira "ao": "bacalhau ao estilo de Gomes de Sá". Isso prova o acerto no emprego do acento grave.
De início, os mais afoitos podem achar que o "a" não pode receber acento porque vem antes de Gomes de Sá, nome masculino. Na verdade, o "a" vem antes de "moda", palavra feminina, subentendida.
É o mesmo caso da expressão "à francesa" ("à moda francesa"), que dá título a uma música de Cláudio Zoli e Antônio Cícero.
 
"Meu amor, não vai haver tristeza
Nada além de um fim de tarde a mais
Mas depois as luzes todas acesas
Paraísos artificiais
E se você saísse À francesa
Eu viajaria muito, mas
muito mais."
 
Aparentemente masculino
 
Veja este caso: "A proposta dele é igual a dos concorrentes". Que tal? O "a" vem antes de "dos concorrentes", masculino plural. Nem pensar em acentuar esse "a", certo? Errado!
Quem disse que esse "a" vem antes do masculino? A palavra "igual" exige a preposição "a". Se uma coisa é igual, é igual a outra. E onde está o segundo "a"? Vem do substantivo "proposta", subentendido: A proposta dele é igual à (proposta) dos concorrentes".
Troque "proposta", palavra feminina, por "projeto", palavra masculina. O que acontece? O "a" vira "ao": "O projeto dele é igual ao (projeto) dos concorrentes". Percebeu? Se antes de masculino aparece "ao", antes de feminino só pode aparecer "à".
Então, mais uma vez, cuidado com a decoreba cega. Reflita. Pense.
 
Espero que tenham aprendido mais sobre "CRASE", e conto com vocês na próxima semana, com mais dicas sobre Português passo a passo.
Abraços da amiga Janete
 
 
 
 
 
 
 

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