quinta-feira, 14 de abril de 2016

Elisa Lucinda - O Semelhante


Olá, meus queridos amigos.
Depois de conhecer um pouco de Elisa Lucinda, vamos presenteá-la no nosso "Cantinho da Literatura", com uma poesia do seu livro "O Semelhante" - 5ª Edição.
 

ANJO DE GUARDA E DE PAPEL

Na minha estante mora um moço velho
com cara de rapaz
pela alegria que traz;
Com cara de menino
pela novidade tenaz;
Com cara de velho avô
pela qualidade da paz.
Mora lá. Elegante. Solene.
Ainda que poderoso pela fartura de folhas
Todo grande, gigante, recheado de sentidos
Ainda que pareça na forma até grosso
é um poço generoso.
Parece um vigia, uma babá, um tutor.
Parece segurança, certeza, confirmação.
Valente matador de dúvidas, veste a beca da humildade
e nem se incomoda em ser só precisão.
 
Fica lá. Se doa para a poeira que vem tecer com o sol a teia do tempo
sobre sua firme encadernadora.
Assiste aos lapsos da memória
escora a literatura no ritual da decodificação.
Mas nessa muda eloquência, nessa silenciosa falação
me protege e me rege.
Amigo calado, consistente, combinado. (Tem sempre uma palavra par dar)
Não me falta, não se vende...
É meu instrutor, protetor e anjo da guarda.
É nele que penso quando vejo um guarda e tenho medo...
Eu queria que a polícia daqui tivesse esse mesmo afetuoso itinerário:
Fiel companheiro do cidadão
como é meu dicionário.
(Inverno de 1991)
Em breve teremos mais Elisa Lucinda.
Abraços da amiga Janete

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