quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Sofrimento - Henriqueta Lisboa


Olá, meus queridos amigos.
Depois de "A Menina Selvagem" que vocês tiveram a oportunidade de ler no nosso "Cantinho da Literatura", hoje volto com mais três poesias dessa mulher que inspirou a leitura com sua simplicidade e emoção, encerrando assim as homenagens para essa querida escritora.
Vamos curtir?

Conhecendo um pouco mais de Henriqueta:

Henriqueta Lisboa (1901-1985), mineira, é autora de uma das obras poéticas mais representativas do século 20. Poeta de produção regular, publicou quase 20 livros de poesia entre 1925 e 1977. Sua produção também inclui ensaios, conferências e traduções.

Menos conhecida que sua companheira de geração
Cecília Meireles (1901-1964), Henriqueta desenvolveu uma poesia que tem pontos de contato com a de Cecília. Para este boletim selecionei três poemas da escritora mineira.

O primeiro, "Sofrimento", vem da obra Flor da Morte (1949). "O livro de Henriqueta Lisboa é uma persistente, ondulante e apaixonada meditação sobre a morte. Quase que o poderíamos chamar: tratado poético da morte", escreveu Drummond em 1952 sobre essa obra.
O outro poema, "Os Lírios", foi extraído do volume A Face Lívida (1945). Por fim, "Serena" vem de Velário (1936). Nesse poema leve e suave destacam-se claramente os tons simbolistas que a autora cultivou em suas primeiras obras.



SOFRIMENTO



No oceano integra-se (bem pouco)
uma pedra de sal.

Ficou o espírito, mais livre
que o corpo.

A música, muito além
do instrumento.

Da alavanca,
sua razão de ser: o impulso,

Ficou o selo, o remate
da obra.

A luz que sobrevive à estrela
e é sua coroa.

O maravilhoso. O imortal.

O que se perdeu foi pouco.

Mas era o que eu mais amava.


OS LÍRIOS


Certa madrugada fria

irei de cabelos soltos
ver como crescem os lírios.

Quero saber como crescem
simples e belos — perfeitos! —
ao abandono dos campos.

Antes que o sol apareça
neblina rompe neblina
com vestes brancas, irei.

Irei no maior sigilo
para que ninguém perceba
contendo a respiração.

Sobre a terra muito fria
dobrando meus frios joelhos
farei perguntas à terra.

Depois de ouvir-lhe o segredo
deitada por entre os lírios
adormecerei tranqüila.

SERENA

Essa ternura grave

que me ensina a sofrer
em silêncio, na suavi-
dade do entardecer,
menos que pluma de ave
pesa sobre meu ser.

E só assim, na levi-
tação da hora alta e fria,
porque a noite me leve,
sorvo, pura, a alegria,
que outrora, por mais breve,
de emoção me feria.

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