terça-feira, 22 de setembro de 2015

Português passo a passo - concordância nominal

Olá, meus queridos amigos.
Hoje, no “Português passo a passo”, o professor Pasquale vai falar sobre os principais casos de Concordância Nominal. Assim como na concordância verbal, o professor trabalha em cima de exemplos sobre alguns casos corriqueiros e chega a ser divertido aprender dessa forma ficando mais “familiarizado”, vocês não acham?


“Obrigados nós!”
Nesse exemplo, o professor fala dessa expressão com um texto muito interessante e explicativo.

“Há alguns anos, Caetano Veloso e Jorge Mautner gravaram, juntos, um belo CD, fizeram diversas apresentações pelo país e estiveram em alguns programas de televisão. Quando terminaram de cantar no “Altas Horas”, do querido Serginho Groisman, Caetano e Mautner receberam um emocionado (e repetido) “Obrigado!”. Incontinenti, Caetano respondeu, em seu nome e no de Mautner: “Obrigados nós!”. E Mautner repetiu: “Obrigados nós!”
A questão do agradecimento em português intriga muita gente. Nas minhas andanças pelo peís, em palestras para todo o tipo de público, nunca escapo das perguntas sobre esse assunto: “Mulher tem de dizer ‘obrigada’? E como se responde a quem agradece?” Não faltam “teorias” sobre o assunto.
Uma delas diz que o agradecimento não depende de quem o faz, mas de quem o recebe.
Sendo assim, dir-se-ia “obrigado” a um homem e “obrigada” a uma mulher. Por favor, por caridade, por clemência, esqueça isso.
Nossa forma de agradecer difere das de nossos irmãos neolatinos. Os italianos dizem “grazie”; os espanhóis, “gracias”; os franceses, “merci” (que tem a mesma origem de “mercê”, que significa  “graça”, “favor”, “benefício”). E de onde vem o nosso “obrigado” (ou “obrigada”)?
Vem mesmo da ideia de obrigação, de sentir-se obrigado, de ficar obrigado (a alguém, por algo). Ao pé da letra, quem diz “obrigado/a” assume a obrigação de retribuir o favor recebido.
Originariamente, o termo “obrigado” é o particípio de “obrigar”. No caso da expressão de agradecimento, é usado como adjetivo, o que impõe sua concordância com o sexo do ser que agradece, isto é, do ser que se sente “obrigado”, que assume a obrigação de retribuir o favor recebido.
Bem, o que vimos aqui é a teoria, que não raramente é posta em prática, como comprovam o exemplo de Caetano, o de Mautner e o de muitas pessoas que, quando falam em seu próprio nome, dizem “Obrigado/a!”
“Muito obrigado/a!” ou “Obrigado/a eu!”. O fato é que, no singular, os termos “obrigado” e “obrigada” não causam estranheza, o que talvez não se possa dizer do plural. Alguém que fizesse um discurso em nome de um grupo e terminasse com algo como “Só nos resta fizer ‘muito obrigados’ a todos os que...” provavelmente surpreenderia boa parte da plateia.
Moral da história
Um homem diz “obrigado” (a quem quer que seja); uma mulher diz “obrigada” (a quem quer que seja). E alguém que fala em seu nome e no de outra pessoa? É aí que entra o fato protagonizado por Caetano e Mautner. Caetano agradeceu em nome da dupla, por isso disse “Obrigado nós!” (“Obrigados estamos nós!”; “Obrigados ficamos nós!”).
E o que diria uma mulher que agradecesse em seu nome e no de outras mulheres? Diria “Obrigadas!” (ou “Muito obrigadas!”).

Vocês perceberam as palavras sublinhadas? Estão atualizadas de acordo com a Reforma Ortográfica: ideia e plateia.
Então, gostaram dessa aula? Foram ótimas dicas sobre a expressão “Obrigada” no singular e no plural e com certeza vem muito mais por aí, mas ficará para a próxima semana e será uma aula muito produtiva, pois vai esclarecer muitas dúvidas, sobre concordância nominal.

Abraços da amiga Janete

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