quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Antônio Torres




Olá, meus queridos leitores. Vocês já ouviram falar de Antônio Torres? ´
Hoje é a vez de falar desse brasileiro, romancista e com obras que vale a pena pesquisar e conhecer melhor esse jornalista, publicitário e escritor, com seu jeito bem especial de escrever.
Fiquem com o resumo de sua biografia e de suas obras.
Abraços da amiga Janete
Antônio Torres nasceu no dia 13 de setembro de 1940 num lugarejo chamado Junco (hoje município de Sátiro Dias), na Bahia. Aos 20 anos, em São Paulo, foi chefe de reportagem de esportes do jornal "Última Hora". Redator de publicidade desde 1963, trabalhou em algumas das principais agências do País, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Sua estréia literária se deu com o romance "Um Cão Uivando nas Trevas", publicado em 1972. Em seguida, viria a publicar mais quatro romances: "Os Homens dos Pés Redondos" (1973), "Essa Terra" (1976), "Carta ao Bispo" (1979), "Adeus, Velho" (1981), "Um Táxi para Viena D´Áustria" (1991), "Balada da Infância Perdida" (1996), "O Cachorro e o Lobo" (1997) e "Meu Querido Canibal" (2000), entre outros. Pelo conjunto de sua obra, foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, em 2000.
Embora se considere essencialmente um romancista, Antônio Torres tem alguns contos, que publicou em livros e antologias, no Brasil e no Exterior.

Publicado originalmente em "Meninos, Eu Conto", Editora Record - Rio/São Paulo, 1999, o texto acima foi selecionado por Ítalo Moriconi e consta do livro "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 586.
Não demorou muito para que ele passasse a redigir a correspondência dos habitantes de sua terra natal e a assessorar o pároco local nas missas regadas a latim. Ainda criança Antônio se mudou para a cidade de Alagoinhas, na qual realizou seus estudos ginasiais. Posteriormente ele se transferiu para Salvador, exercitando aí a prática jornalística no Jornal da Bahia.
Ao completar 20 anos ele foi para São Paulo e atuou como jornalista e publicitário, conquistando um emprego no veículo impresso Última Hora. Antônio viajou por diversos países, ficando três anos em Portugal e, ao voltar para o Brasil, fixou-se no Rio de Janeiro, residindo hoje em Itaipava, Petrópolis.
Ele contraiu matrimônio, em 1972, com a doutora em literatura comparada Sonia Torres, a qual leciona na UFF, Universidade Federal Fluminense. Eles têm dois filhos, Gabriel e Tiago. O escritor iniciou sua trajetória literária aos 32 anos, quando publicou seu primeiro livro, Um cão uivando para a Lua, sucesso de crítica, que o transformou na grande descoberta do ano.
Sua segunda publicação, Os Homens dos Pés Redondos, reforçou o respeito dos críticos por seu trabalho, mas sua obra-prima, Essa Terra, foi lançada apenas em 1976. Esta história tem um tom claramente autobiográfico, e enfoca a problemática da migração de nordestinos à procura de novas oportunidades, de uma existência mais digna na imagem ilusória da cidade grande do Sul, particularmente São Paulo.
Torres é atualmente considerado um dos melhores autores da geração contemporânea. Sua obra já foi publicada em países como Itália, Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda, Israel, Bulgária, dentre outros. A Editora Record, ancorada no estrondoso sucesso de Essa Terra, lançou em 2001 uma edição comemorativa, festejando assim os 25 anos deste livro.
Os romances de Torres não são ambientados somente em paisagens rurais, mas também em contextos tipicamente urbanos. Sua literatura tem um estilo particular, considerado essencialmente nômade, pois convida o leitor a colocar o pé na estrada, a transitar entre o universo impresso e o país da imaginação. Não por acaso sua principal inspiração provém do escritor mexicano Juan Rulfo, que cultiva a mesma prática.
Vinte anos depois de criar seu filho dileto, Essa Terra, Antônio decide empreender um retorno ao mesmo cenário na obra O Cachorro e o Lobo, na qual apresenta sua Junco natal subvertida pelo encontro com o mundo moderno. Novamente sua receptividade foi ampla e o sucesso inevitável, tanto no Brasil quanto na França.
Neste país ele recebeu, em 1998, uma insígnia honorífica entregue pelo governo francês, tornando-se assim um Chevalier des Arts et des Lettres, enquanto no Brasil foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da sua obra, em 2000. Seu livro Meu Querido Canibal foi premiado com o Prêmio Zaffari & Bourbon, da 9a. Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, cidade gaúcha.
Em 2006 Torres concluiu sua trilogia, lançando a segunda seqüência de Essa Terra, o romance Pelo fundo da agulha, o qual conquistou o Prêmio Jabuti e foi um dos finalistas

obras
Um Cão Uivando para a Lua (1972)
Os Homens dos Pés Redondos (1973)
Essa Terra (1976)
Carta ao Bispo (1979)
Adeus, Velho (1981)
Balada da Infância Perdida (1986)
Um Táxi para Viena d''Áustria (1991)
O Centro das Nossas Desatenções (1996)
O Cachorro e o Lobo (1997)
O Circo no Brasil (1998)
Meninos, eu Conto (1999)
                                                                          Meu Querido Canibal (2000)












 A obra de Antônio Torres chega ao meio digital
Já estão à venda nas livrarias digitais os livros eletrônicos (eBooks) MENINOS, EU CONTO; ESSA TERRA; BALADA DA INFÂNCIA PERDIDA; O NOBRE SEQUESTRADOR; O CACHORRO E O LOBO; ADEUS, VELHO; CARTA AO BISPO; MEU QUERIDO CANIBAL; UM CÃO UIVANDO PARA A LUA; PELO FUNDO DA AGULHA; e UM TÁXI PARA VIENA D'AUTRIA.
 
Último texto
Por Um Pé de Feijão

Antônio Torres

Nunca mais haverá no mundo um ano tão bom. Pode até haver anos melhores, mas jamais será a mesma coisa. Parecia que a terra (á nossa terra, feinha, cheia de altos e baixos, esconsos, areia, pedregulho e massapê) estava explodindo em beleza. E nós todos acordávamos cantando, muito antes do sol raiar, passávamos o dia trabalhando e cantando e logo depois do pôr-do-sol desmaiávamos em qualquer canto e adormecíamos, contentes da vida.
Até me esqueci da escola, a coisa que mais gostava. Todos se esqueceram de tudo. Agora dava gosto trabalhar.
Os pés de milho cresciam desembestados, lançavam pendões e espigas imensas. Os pés de feijão explodiam as vagens do nosso sustento, num abrir e fechar de olhos. Toda a plantação parecia nos compreender, parecia compartilhar de um destino comum, uma festa comum, feito gente. O mundo era verde. Que mais podíamos desejar?
E assim foi até a hora de arrancar o feijão e empilhá-lo numa seva tão grande que nós, os meninos, pensávamos que ia tocar nas nuvens. Nossos braços seriam bastante para bater todo aquele feijão? Papai disse que só íamos ter trabalho daí a uma semana e aí é que ia ser o grande pagode. Era quando a gente ia bater o feijão e iria medi-lo, para saber o resultado exato de toda aquela bonança. Não faltou quem fizesse suas apostas: uns diziam que ia dar trinta sacos, outros achavam que era cinquenta, outros falavam em oitenta.
No dia seguinte voltei para a escola. Pelo caminho também fazia os meus cálculos. Para mim, todos estavam enganados. Ia ser cem sacos. Daí para mais. Era só o que eu pensava, enquanto explicava à professora por que havia faltado tanto tempo. Ela disse que assim eu ia perder o ano e eu lhe disse que foi assim que ganhei um ano. E quando deu meio-dia e a professora disse que podíamos ir, saí correndo. Corri até ficar com as tripas saindo pela boca, a língua parecendo que ia se arrastar pelo chão. Para quem vem da rua, há uma ladeira muito comprida e só no fim começa a cerca que separa o nosso pasto da estrada. E foi logo ali, bem no comecinho da cerca, que eu vi a maior desgraça do mundo: o feijão havia desaparecido. Em seu lugar, o que havia era uma nuvem preta, subindo do chão para o céu, como um arroto de Satanás na cara de Deus. Dentro da fumaça, uma língua de fogo devorava todo o nosso feijão.
Durante uma eternidade, só se falou nisso: que Deus põe e o diabo dispõe.
E eu vi os olhos da minha mãe ficarem muito esquisitos, vi minha mãe arrancando os cabelos com a mesma força com que antes havia arrancado os pés de feijão:
- Quem será que foi o desgraçado que fez uma coisa dessas? Que infeliz pode ter sido?
E vi os meninos conversarem só com os pensamentos e vi o sofrimento se enrugar na cara chamuscada do meu pai, ele que não dizia nada e de vez em quando levantava o chapéu e coçava a cabeça. E vi a cara de boi capado dos trabalhadores e minha mãe falando, falando, falando e eu achando que era melhor se ela calasse a boca.
À tardinha os meninos saíram para o terreiro e ficaram por ali mesmo, jogados, como uns pintos molhados. A voz da minha mãe continuava balançando as telhas do avarandado. Sentado em seu banco de sempre, meu pai era um mudo. Isso nos atormentava um bocado.
Fui o primeiro a ter coragem de ir até lá. Como a gente podia ver lá de cima, da porta da casa, não havia sobrado nada. Um vento leve soprava as cinzas e era tudo. Quando voltei, papai estava falando.
- Ainda temos um feijãozinho-de-corda no quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o milho para quebrar, despalhar, bater e encher o paiol, não temos? Como se diz, Deus tira os anéis, mas deixa os dedos.
E disse mais:
- Agora não se pensa mais nisso, não se fala mais nisso. Acabou. Então eu pensei: O velho está certo.
Eu já sabia que quando as chuvas voltassem, lá estaria ele, plantando um novo pé de feijão.


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