quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Ferreira Gullar - Canção para não morrer

Olá, meus queridos amigos.
Vocês estão lembrados da homenagem ao querido escritor brasileiro, em 01 de agosto do ano passado? Foi um resumo de sua biografia, com dois lindos poemas: "Traduzir-se" e "Dois e Dois são Quatro".
Hoje, o nosso "Cantinho da Literatura" tem a honra de informar aos leitores desse espaço reservado aos nossos nobres escritores brasileiros, que no dia 09, na quinta-feira passada, Ferreira Gullar foi eleito para Academia Brasileira de Letras (ABL).
Ele vai ocupar a cadeira 37, vaga que era de Ivan Junqueira, morto em Julho.
Vejam como foi divulgado, no dia 09, a notícia sobre a eleição de Ferreira Gullar:
(Cintia Sanchez/Divulgação/VEJA)

"O poeta maranhense Ferreira Gullar foi eleito nesta quinta-feira o novo ocupante da cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras (ABL), vaga que era do poeta Ivan Junqueira, morto em 3 de julho por falência múltipla dos órgãos. O poeta disputou o posto com o escritor José William Vavruk, que já havia concorrido à cadeira 36, ocupada desde setembro de 2013 por Fernando Henrique Cardoso, José Roberto Guedes de Oliveira, membro-fundador da Academia Indaiatubana de Letras, e Ademir Barbosa Júnior, mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP). O maranhense recebeu 36 dos 37 votos possíveis -- o que não foi para ele ficou em branco.

Os ocupantes anteriores da cadeira que agora pertence a Gullar foram Silva Ramos, fundador – que escolheu como patrono o poeta Tomás Antônio Gonzaga –, Alcântara Machado, Getúlio Vargas, Assis Chateaubriand e João Cabral de Melo Neto.
O novo “imortal” — Ferreira Gullar, cujo nome verdadeiro é José de Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís do Maranhão em 10 de setembro de 1930. Aos 18 anos, passou a frequentar os bares da cidade, então tomados por jovens que passavam as tardes lendo poesia. A influência funcionou: poucos anos depois, eles fez as suas primeiras investidas no mundo da literatura com poemas experimentais, reunidos em seu livro de estreia, A Luta Corporal, de 1954.
O volume contribuiu para o surgimento de um novo movimento literário no Brasil, o concretismo, de que Gullar foi participante e, mais tarde, dissidente. Em 1959, o poeta deu origem ao movimento neoconcreto, de que fizeram parte artistas como Lygia Clark e Hélio Oiticica. Às vésperas do golpe militar, o maranhense se afastou dos neoconcretistas e começou a escrever poemas políticos, sendo processado, preso e exilado até 1977. Com a sua volta ao Brasil, passou a escrever para jornais e lançou livros como Na Vertigem do Dia, Toda Poesia (José Olympio Editora, 1980) e Barulhos (José Olympio Editora, 1987)."
Ferreira Gullar durante a festa após ser eleito
imortal da ABL (Foto: Lívia Torres / G1


Cantiga para não morrer
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
Ferreira Gullar

Estou na caridade da evolução do meu ser. Quero ser menina, encontro-me mulher... Quero ser mulher, vejo-me menina...
Ferreira Gullar

Uma parte de mim 
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente

Ferreira Gullar
Leiam mais Ferreira Gullar. Vale muito a pena.
Abraços da amiga Janete

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