quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Monteiro Lobato

Olá, meus queridos leitores. Que tal curtir um pouquinho, um pouquinho só desse magnífico escritor?
É bom demais ler e reler Monteiro Lobato; suas fábulas, poemas, pensamentos, todas as histórias e estórias...
É uma viagem sempre; volta ao passado, às memórias de criança, adolescente, enfim, é renascer com as mais lindas lembranças de nossas vidas.
Hoje, especialmente, apenas um "aperitivo" desse "herói dos livros" para vocês, para nós... e com certeza, com gostinho de quero mais.
Abraços da amiga Janete
 "- A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre. - E depois que morre?, perguntou o Visconde. - Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"

"Loucura? Sonho? Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira, mas tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum."

"A Rã e o Boi
Tomavam sol à beira de um brejo uma rã e uma saracura. Nisto chegou um boi, que vinha para o bebedouro:
-Quer ver - disse a rã - como fico do tamanho deste animal?
-Impossível rãzinha. Cada qual como Deus o fez.
-Pois olhe lá!-retorquiu a rã estufando-se toda-Não estou "quase" igual a ele?
-Capaz! Falta muito amiga.
A rã estufou-se mais um bocado.
-E agora?
-Que esperança...
A rã, concentrando todas as forças, engoliu mais ar e foi-se estufando, estufando, até que, PLAF!, rebentou como um balãozinho de plástico.
O boi, que tinha acabado de beber, lançou um olhar de filósofo sobre a rã moribunda e disse:
(Moral)-Quem nasce para 10 réis não chega a vintém."

"A natureza só permite aos gênios uma filha: sua obra.
Um governo deve sair do povo como a fumaça de uma fogueira.
Um país se faz com homens e livros.
Erro pensar que é a ciência que mata uma religião. Só pode com ela outra religião.
A consciência do homem comum mora no bolso, eis tudo.
Um só campo existe aberto, hoje, para as obras esculturais de algum vulto: o cemitério.
Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar.
Porque tenho sido tudo, e creio que minha verdadeira vocação é procurar o que valha a pena ser.
Acho a criatura humana muito mais interessante no período infantil do que depois de idiotamente tornar-se adulta.
Nunca no mundo uma bala matou uma ideia.
Fui mexer na minha tremenda papelada epistolar e tonteei. É coisa demais. É um mundo.
Para a treva só há um remédio, a luz.
Os nomes que vimos pela primeira vez como tradutores perdem o prestígio, quando os vemos como autores. Há em nós a vaga impressão de que quem traduz não pode criar.
Meu cavalo está cansado e o cavaleiro tem muita curiosidade em verificar, pessoalmente, se a morte é vírgula ou ponto final."

"A natureza criou o tapete sem fim que recobre a terra. Dentro da pelagem deste tapete vivem todos os animais respeitosamente.
Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem."
"Nada de imitar seja lá quem for. Temos de ser nós mesmos. Ser núcleo de cometa, não cauda. Puxar fila, não seguir."

"Erro Tipográfico
A luta contra o erro tipográfico, tem algo de homérico. Durante a revisão os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis. Mas, assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas. Trata-se de um mistério que a ciência ainda não conseguiu decifrar."
Monteiro Lobato

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