quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Francisco Azevedo




Olá, meus queridos amigos e leitores.
Sabem que gostei dessa ideia do Cantinho da Literatura?
A cada semana, fico ansiosa para pesquisar um pouco sobre os nossos fantásticos escritores brasileiros; são tantos, que fica difícil selecionar um e outro para ser homenageado no nosso blog da amizade e o mais interessante é que temos um encontro marcado às quintas feiras e a ansiedade vem junto com a expectativa, pois não sei se vai agradar; mas para quem gosta de boa leitura, sei que vai gostar dessa sugestão; hoje vou falar sobre outro gênio da literatura; que é Francisco Azevedo, e vocês que também não o conhecem, vão perceber na preciosidade de um trecho do seu livro mais famoso que é “Arroz de Palma” e depois, com certeza vocês vão fazer uma pesquisa mais completa sobre esse livro magnífico, voltado para as famílias.
A braços da amiga Janete
Francisco de Azevedo
*Dramaturgo, roteirista cinematográfico, poeta e ex-diplomata, Francisco José Alonso Vellozo Azevedo nasceu no Rio de Janeiro em 23 de fevereiro de 1951. Começou a se dedicar à literatura em 1967, quando venceu concurso promovido pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
Além de livros e peças de teatro encenadas no Brasil e no exterior, Francisco Azevedo já escreveu para mais de 250 produções, incluindo roteiros de longa e curta-metragem, documentários e multimídias premiados e comerciais de televisão. Em 2009, O Arroz de Palma, seu romance de estreia, ficou entre os dez finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura.

Sobre o Livro
Primeiro romance a tratar da imigração portuguesa para o Brasil no século XX, “O arroz de Palma”,do dramaturgo e roteirista Francisco Azevedo, narra a saga de uma família em busca de um futuro melhor, superando diversas dificuldades.
A obra começa com Antônio, filho de José e Maria, aos 88 anos, preparando o almoço que será servido à família, finalmente reunida após muito tempo. Enquanto combina os ingredientes, vão se misturando em sua mente as histórias que Tia Palma, irmã de seu pai, lhe contava. Mitologias familiares, que gravitam em torno desse arroz e também em torno das dificuldades em se largar uma terra amada por um futuro duvidoso.
No casamento dos pais, em Viana do Castelo, norte de Portugal, seguindo a tradição, o casal saiu da igreja sob uma chuva de arroz. Recolhido por Palma, esses 12 quilos de arroz foram acompanhando a família, sendo fundamentais em vários momentos. Como quando, para tratar da infertilidade da cunhada e do irmão, Palma dá a ele um laxante e depois prepara uma canja com esse arroz. O mesmo que ela presenteia ao sobrinho Antônio no dia de seu casamento. Uma união selada num almoço em que a família serviu esse arroz com bacalhau.
Francisco Azevedo narra em O arroz de Palma, seu primeiro romance, um século da saga de uma família portuguesa imigrante.
O tema da travessia e adaptação é recorrente na literatura brasileira, mas ao investigar especificamente a chegada de portugueses, não o colono, mas o que vem para trabalhar, Azevedo investe numa temática inédita. "Este meu romance de estréia fala da saga de uma humilde família portuguesa que chegou ao Brasil cheia de sonhos e projetos e que, transplantada neste solo, aprofundou raízes, cresceu e deu frutos. Fala de minhas próprias raízes. Fala, portanto, de mim e dos meus", disse Azevedo. O romance é marcado por uma escrita lírica, delicada, em que os momentos de reflexão do narrador, um senhor de 88 anos que prepara um grande almoço para toda a família, são entremeados por recordações deste século de família no Brasil. Embora as mudanças sociais e culturais do país possam ser percebidas no romance, é dentro da família que o autor maneja as transformações para amplificá-las: "O livro fala de família. A própria família. Considerada falida nos anos 1960 e condenada ao desaparecimento, a família situa-se, agora, neste início do século XXI, como a mais sólida das instituições. Surpreendente? Nem tanto." Por meio das memórias do narrador, o octagenário Antonio, Francisco Azevedo maneja com esmero os diálogos, marca registrada em suas aclamadas peças teatrais como Unha e carne e Coração na boca, entre outras. Antes de O arroz de Palma, Azevedo publicou dois livros de poesia e prosa poética, Contra os moinhos de vento, 1978, e A casa dos arcos, de 1984. Posteriormente o autor se dedicou aos roteiros cinematográficos, de ficção e documentários, e peças teatrais. 



O Arroz de Palma
Francisco Azevedo
"Família é prato difícil de se preparar."

Trechos do livro "O Arroz de Palma" de Francisco Azevedo
"Família é prato difícil de se preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema...
Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir...
Mas a vida...
Sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade.
Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.
Aquele, o que foi morar longe.
Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente... Já estão aí? Todos? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar.
Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre.
Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido . Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe família à Oswaldo Aranha; família à Rossini; Família à Belle Maniére; Família ao Molho Pardo (em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria).
Família é afinidade, á à moda da Casa. E cada casa gosta de prepara a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha.
Seja como for, família é prato que se deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.  
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança.
Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.
Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."

"Deus é grande demais para que o possamos conhecer; o número de seus anos é incalculável. Atrai as gotinhas de água para transformá-las em chuva no nevoeiro, as nuvens se espalham, e as destilam sobre a multidão dos homens. Quem pode compreender como se estendem as nuvens, o estrépido de sua tenda?"
 Jó 36-26, 27, 28, 29.

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