quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Chico Anysio


Olá meus queridos amigos. Hoje é a vez de falar um pouco sobre esse gênio que além de ator, humorista e diretor, poucos sabem que ele é também escritor e pintor e para nós que, mesmo conhecendo tanto esse artista, sabemos tão pouco dele. Com o resumo de sua biografia e alguns dos muitos personagens, vamos relembrar e matar um pouco a saudade desse homem que foi muito especial para todos nós.
Abraços da amiga Janete.

CHICO ANYSIO
(Ator, humorista ,diretor)
1931- 2011

 

 

Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho é filho de Francisco Anysio, um dos homens que foi dos mais ricos do Ceará, e de dona Haideé Viana de Oliveira Paula. Sua mãe era “especialíssima”, e embora tendo um problema grave no coração, morreu aos 89 anos de idade. O pai tinha uma enorme empresa de ônibus, que um dia pegou fogo, e ele foi dormir rico e acordou pobre. Chico Anysio nasceu na cidade de Maranguape, no dia 12 de abril de 1931. O pai de Chico foi casado quatro vezes e teve 17 filhos, dos quais só uma morreu. Aos oito anos o garoto foi com a família para o Rio de Janeiro e já começou a imitar as pessoas, e para ir ao cinema ou ao futebol, economizava o dinheiro do bonde, indo a pé para o colégio. Com 14 anos começou a ir aos programas de calouros do Rio e depois de São Paulo, e ganhava todos. A ponto de não o aceitarem mais. Foi ao “Programa Ary Barroso”, à “Hora do Padre”, ao “Trabuco”do Vicente Leporace, em São Paulo. E logo Renato Murce o aproveitou para um show. Ia fazer suas imitações nos clubes do Rio e ganhava seus cachês. Estudou para ingressar na Faculdade de Direito, passou, mas não cursou. Foi contratado para o rádio e depois de 15 dias, já tinha quatro profissões: era ator, locutor, redator e comentarista esportivo. Gostava de tudo e fazia tudo perfeitamente bem. Era a Rádio Guanabara. Foi galã de novelas, mas logo preferiu a linha de shows e de comédias, ao lado de Grande Otelo, Chocolate, Luiz Tito. E foi se multiplicando, sem nem mesmo ele saber como. Chegou um momento, porém, já na televisão, que achou que devia escolher uma estrada para ele. E escolher ser “vários”. Decidiu fazer vários personagens. E isso passou a ser o seu “diferencial”. Pensava: “Se um personagem cansar, ele sai, e fica outro. Foi ele que cansou, não eu”. Às vezes eram tão diferentes umas das outras, que nem mesmo ele entendia. Chegou a fazer 207 personagens na televisão. Seu começo nesse veículo de comunicação foi em 1957, fazendo o “Professor Raimundo”, na TV Rio. Tinha estado por muito tempo na Rádio Mayrink Veiga, sempre com sucesso. Na TV Rio, sob a direção de Walter Clark, o sucesso continuou. Como não havia video-teipe, ia de avião para São Paulo, e lá também fazia sucesso. Mas aconteceu de ver rejeitados alguns personagens seus, que mais tarde explodiram de tanto sucesso, como o “Coronel Limoeiro”, o “Quem-Quem”. E aí veio o video-teipe. Como já havia abandonado o rádio, dedicou-se então mais à televisão. Continuava, porém, escrevendo para o rádio. E seus personagens para a televisão ele mesmo escrevia. Só mais tarde foi tendo redatores, como o Antônio Maria, o Aloísio Silva Araujo, Max Nunes. Esteve na Record, e dentro do programa: “Essa Noite se Improvisa”, ganhou três carros, várias geladeiras, era enfim do primeiro time. Esse era um programa de Blota Junior, em que o apresentador dizia uma palavra e os concorrentes tinham que cantar uma música com aquela palavra. Chico ganhava quase todas. Quando esse programa mudou de estilo, Chico Anysio pediu demissão. Após sua saída da Record, foi para o Reio estrear o Teatro da Lagoa. Era o ano de 1969, e aí foi também convidado para ir para a TV Globo. Conheceu o Boni, que nele confiou totalmente, e a quem reverencia até hoje, como sendo o homem que mais entende de televisão. Foram 16 anos de grandes programas. Fez: “Chico Anysio Show”, “Chico City”, “Estados Unidos de Chico City”, “Chico Total”. Em todos eles apareceram seus tipos imortais, como os citados àcima e mais a “Salomé”, o “Painho”, o famoso “Profeta”, e tantos outros. Francisco Anysio se tornou o número um, entre os comediantes do Brasil. Mas aí teve uma queda e fraturou a mandíbula. Ficou um tempo com a dicção praticamente imobilizada. Foi para os Estados Unidos e sua recuperação aconteceu lentamente. Voltou com a “Escolinha do Professor Raimundo” e mais recentemente com “Zorra Total”, em que faz vários tipos famosos. Casado seis vezes, o comediante tem oito filhos, sendo um adotado. Este é seu empresário. Os outros, que são adultos, também estão ligados à arte. Tem dois filhos pequenos, de seu casamento com Zelia Cardoso de Melo, que moram nos Estados Unidos. Só a caçula é mulher e seu nome é Vitória. O pai viaja para vê-los, pelo menos uma vez ao mês. Chico Anysio ainda é escritor. Tem quinze livros lançados e doze à serem editados. E é pintor. Faz uma média de 300 quadros por ano, e está na fase “Marinha”. Vende seus quadros, vende seus livros, e consegue sucesso em tudo o que faz. Trabalhador incansável, dorme apenas quatro horas por noite e, sua explicação para tanta vitória, é o que um amigo lhe disse: ” Não sou ator. Sou Médium”. Essa afirmação ele faz, num tom entre a brincadeira e a reflexão, e se pode ver em seus olhos, uma luz de gratidão, pois nem Francisco Anysio consegue explicar o inexplicável, que é Chico Anysio.

 
Algumas frases marcantes ditas por Chico Anysio:

"O brasileiro só tem três problemas: café, almoço e jantar."

Sobre a pobreza no Brasil

"Quem é casado há quarenta anos com dona Maria não entende de casamento, entende de dona Maria."

Explicando, em entrevista à revista "Veja", que se considera um especialista em casamentos, uma vez que teve seis

"Ninguém ama igual duas vezes, mas os erros de um casamento são muito parecidos."

À revista "Veja", sobre o que aprendeu com seus casamentos

"A felicidade é uma ilusão, e eu sou um realista."

À revista "Rolling Stone", sobre sua filosofia de vida

"Não tenho medo de morrer; tenho pena, porque são tantas as ideias para realizar."

À revista "Caras", explicando que não tem medo de morrer, uma vez que a morte é inevitável

"As mulheres estão descobrindo que mulher é bom - coisa que os homens já sabem há séculos."

Sobre a homossexualidade entre as mulheres

"No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro e os políticos têm medo do passado."

Sobre a desonestidade no mundo da política

"Se estivesse desencantado da vida, acordar seria um tormento; sou apaixonado pela vida e agradecido pelo que me foi dado."

 Memória
As frases e os bordões de Chico Anysio

O humorista interpretou mais de 200 personagens ao longo de sua carreira e criou diversos bordões incorporados à memória do país
Chico Anysio (Oscar Cabral)
 Com mais de 200 personagens criados ao longo da carreira, o humorista Chico Anysio inseriu diversos bordões na fala dos brasileiros. De um tempo em que nem se conhecia a expressão "politicamente correto", o ator cunhou expressões cheias de sagacidade e inteligência para debochar de grupos, rir de situações e eternizar figuras como o severo professor Raimundo, o decadente vampiro caipira Bento Carneiro e o deputado corrupto Justo Veríssimo.
Fora das telas, Chico Anysio ainda refletia sobre a vida e a morte. "Não tenho medo de morrer, tenho pena, porque morrendo não vou ver meus netos crescerem", disse, em entrevista ao programa Fantástico, durante uma homenagem. O ator também disse ter se arrependido de ter fumado por quarenta anos em sua vida.
‘Aff, tô morta!!’
Painho era o pai de santo mais famoso do Brasil
'Eu quero que o pobre se exploda'



O deputado corrupto Justo Veríssimo odiava os pobres
'E o salário, ó!'
Professor Raimundo era bastante severo com seus alunos da Escolinha do Professor Raimundo
'Pra quem ri di eu, minha vingança sará maligrina!'
O vampiro brasileiro Bento Carneiro era decadente, vivia em um castelo mal cuidado e tinha sotaque caipira
'Eu faço a cabeça do João Baptista ou não me chamo Salomé'
Salomé, uma senhora gaúcha, era amiga do presidente da República da época, João Baptista Figueiro, e sempre conversava com ele pelo telefone
'Não garavo'
O ator Alberto Roberto era um canastrão. Com péssima dicção e incapaz de decorar suas falas, recusava constantemente os papéis que lhe ofereciam.
'Mas, hein?'
Jogador de futebol Coalhada se achava um craque, mas, na verdade, era um verdeiro perna de pau.
'Eu trabalho na Globo'
O funcionário da Globo, Bozó gostava de se dizer influente na diretoria da emissora para impressionar as pessoas.
'É mentira, Terta?'
Mentiroso nato, o Coronel Pantaleão se aproveitava da submissão de sua mulher, Terta, para usá-la como testemunha para confirmar suas invenções
Esses foram uns das centenas de personagens criados pelo Chico Anysio; dá uma saudade, não é mesmo? Mas ele está em muitos programas, em muitas homenagens e será com certeza, inesquecível.
 "Minha oração subiu até Deus, meus olhos choram diante dele.
Que ele mesmo julgue entre o homem e Deus, entre o homem e seu semelhante!
Pois meus anos contados se esgotam, entro numa vereda por onde não passarei de novo."
Jó 16-20, 21, 22





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